Vera

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Degelo





Neste inverno sepultei algumas esperanças
Algo sempre morre, mas tudo passa...
O inverno já é passado
As águas do degelo descem ao vale
E agora represadas
Se vão encobrir estas sepulturas...

Meu verso desperta da longa hibernação
Na manha perfumada, porem ainda fria,
Desperta com o rufar das asas do Beija flor
Que no ar paira e beija com ardor
As flores da laranjeira

Desperto também e parto
Com o desprendimento
Dos que mesmo amando algo perdido
Não o renegam nem por um segundo
Sigo mais para o sul
De encontro aos ventos enregelados
Vou à busca dalgum rancho
Lá de trás do mundo
Donde o céu nem sempre azul
Vou cantando esta canção
Deixando voar o pensamento
Assim acalmo meu coração
Nesta clara, mas ainda fria
Manha de setembro.
Imagem Google

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Das Palavras...


Das palavras...

Elas tantas palavras
Que foram lançadas e se perderam
No abismo da descrença...

Palavras que se queimaram no tórrido verão.
Estas palavras, algumas delas,
Desconsideradas e em cinzas perderam-se
Nas brumas das manhas outonais...

Recolhe então o poeta infante
Algumas poucas que ainda ecoam
Talvez as use como lenha
Para aquecer-se no inverno
Que bate a porta obstante...

Sua alma, seu arco.
Não mais se distendera
A lançar palavras...

La fora cai à chuva a natureza também chora
Ca dentro memórias se desenham na vidraça...

E as palavras que do âmago brotam,
Elas agora hibernam enregeladas
Não serão mais lançadas
Pois iriam se despedaçar armadura
De gelo que por ironia também queima
Tornado a alma fria e escura.
Exaurido o poeta  infante  Capitula
Pena... Acontece!.
Imagem:Google

domingo, 20 de junho de 2010

O desjo da fada

O desejo da fada
Carrego no peito está paixão
Mas não sou escravo dela
Os escravos da paixão
Submetem-se a ela...


Ela que é como pura inconstância
Que tão somente considera
Seus medos e magoas
Suas ânsias e suas vontades...

Cá no peito levo um grito calado
Os espelhos da alma refletem imagens reais
Um dia vai se aperceber do fato
De que o maior desejo das fadas
Era o de serem mortais...

Se ressentem, pois algo lhes falta,
Falta o calor nesta chama
E é esta frieza que amordaça
O coração que no peito clama

Coração que ainda é o mesmo,
Mas por incerta razão imita outra forma de ser
Não percebe que este outro ser em verdade
Deseja de coração outra forma de ser
Que não seja na solidão!
Imagem: Google

sábado, 19 de junho de 2010

Caminhante

Caminhante



Apesar de bastante simples
E obvio às vezes pode nos tirar o sono
Tudo na vida é relativo...
O que se dizer de um ser
Que considera que sua felicidade
Não esta conectada a outro ser
Descompromisso não é liberdade
Se pensarmos muito
No que se perdeu no que se sofreu
Não vamos perceber as coisas boas
Que a vida nos deu...

A vida pode ser simbolizada
Por uma cruz duas linhas,
Vertical: Nossa fé
Em algo efêmero um ser superior
Horizontal: Também uma fé
Só que palpável nossos semelhantes
É bem simples, mas é preciso
Haver envolvimento comprometimento e harmonia
O que não é palpável também degenera atrofia...

Quem segue caminhando
Tem sempre um pé no chão
E o outro no ar
A alternância é que faz
Com que sigamos em frente
Os dois pés no chão
Significa que estrada terminou
Ou que os tropeços de outrora
Engessaram a vontade...
Tire um pé do chão!
Imagem Google

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Racionais

Racionais


Num momento mágico
Seres ditos racionais
Inventaram o conhecimento
Foi o momento mais soberbo
E o mais mentiroso e solitário
Fazemos perguntas com base
No que gostaríamos de ouvir
Intimamente sabemos as respostas
E as distorcemos geralmente...


Ouça a vida deixe que ela te diga
O que ela quer de você
Temos que ter a percepção
Quanto aos outros seres
Que existem alem de nós
Alem de nossas necessidades
E de nossos preconceitos...


Não ouvimos a vida
A cortamos quando nos fala
Pois em vez de ouvir
Ficamos pensando na resposta
E geralmente respondemos
Que isto não é conosco
Que são coisas da vida
Outra vida há qual pouco
Ou em nada valorizamos
Com o que pensam ou sentem
Não tomamos conhecimento...


Podemos dizer que não é
O que em verdade sentimos
Porem nossas ações
Dizem o contrario
Nem sempre quando ouvimos
Escutamos e quando falamos
Não há sinceridade quanto aos sentimentos
Às vezes nos mostramos
Racionais e detentores do conhecimento
E aos outros rotulamos
Com base no que conhecemos
No que já passamos pelo que sofremos...
Imagem Google